domingo, 24 de junho de 2012

Meridianos

          Um meridiano é um canal que percorre por debaixo da superfície da pele e por onde passa a energia Qi. Os meridianos formam uma rede que conectam todas as partes do corpo. Não são visíveis fisicamente, mas sua existência e distribuição através do corpo tem sido amplamente demonstrada por mensuração de potenciais neuroelétricos. Ao longo dos meridianos estão os pontos de acupuntura ou acupontos. Esses pontos podem ser localizados em razão de sua condutividade elétrica que difere dos tecidos circundantes. Cada ponto de acupuntura tem uma função definida e específica baseada na resposta do corpo.
        No tratamento com acupuntura e outras terapêuticas são utilizados principalmente 12 meridianos (listados abaixo) que recebem nomes dos órgãos e vísceras a que estão associados.

MeridianoNome ChinêsSiglaPolaridadeTotal de Pontos
PulmãoFei (肺經)PYin11
Intestino GrossoDa Chang (大腸經)IGYang20
EstômagoWei (胃經)EYang45
Baço/PâncreasPi (脾經)BPYin21
CoraçãoXin (心經)CYin9
Intestino DelgadoXiao Chang (小腸經)IDYang19
BexigaPang Guan (膀胱經)BYang67
RinsShen (腎經)RYin27
PericárdioXin Bao (心包經)PCYin9
Triplo AquecedorSan Jiao (三焦經)TAYang23
Visícula-biliarDan (膽經)VBYang44
FigadoGan (肝經)FYin14
         
        Cada meridiano envolve uma série de características anatômicas e funcionais que nos permitem  identificar o meridiano comprometido em caso de doença e assim poder tratá-lo. Por exemplo, um paciente pode apresentar a função renal normal e estar com deficiência de energia no meridiano do Rim diagnosticado devido a problemas no sistema osteoarticular que é regido pelo meridiano em questão.

Trajeto do meridiano da vesícula biliar em diferentes espécies

domingo, 17 de junho de 2012

Diagnosticando através do sistema Yin/Yang

              
          Na Medicina Chinesa, todos os fenômenos da natureza foram classificados em dois pólos opostos: o Yin (negativo) e o Yang (positivo).  Não existe uma conotação de bom ou mau, são polaridades dos fenômenos da natureza que se relacionam mutuamente e que se complementam.O Yin não pode existir sem o Yang e vice-versa. Esses dois aspectos quando estão em harmonia representam a saúde do organismo.
          Quando há desequilíbrio e, portanto, doença, é porque esses dois pólos se encontram em desarmonia. Nesses casos, há preponderância de um deles.
          Quando é mais forte o Yang, em geral o paciente apresenta um quadro de excesso de energia com agitação, calor, secura etc. O quadro das doenças Yang é agudo. Os órgãos ocos do corpo (como estômago, bexiga, vesícula biliar e intestinos) são Yang enquanto que os órgão densos (como o baço, fígado, pulmão, coração e rim) são de natureza Yin. O paciente com predominância Yin apresenta sintomas de fraqueza, frio, umidade.
          É importante identificar a polaridade da doença para tratá-la adequadamente. Eis uma breve síntese da aplicação desses conceitos ao conjunto de sinais e sintomas usualmente identificados na semiologia médica.
  • Yin: processos crônicos; tendência à obesidade; hipotermia; tônus muscular diminuído; flacidez; sensibilidade diminuída; pele úmida, fria; sonolência; voz apagada; olhar apagado; depressão; inibição; coma.
  • Yang: processos agudos; tendência ao emagrecimento; inflamação; febre; tônus muscular aumentado; espasmo; sensibilidade aumentada; pele seca, quente; insônia; voz vibrante; olhar brilhante; ansiedade; excitação; tensão; convulsão.

domingo, 3 de junho de 2012

A massagem como terapia

          Qualquer um de nós que viva com um animal conhece a alegria de tocar, mimar e abraçar nossos amigos peludos. Ele podem não entender cada palavra que dizemos, mas sempre entendem nossa linguagem corporal.
          Além da comunicação e afeto, a massagem pode ser usada para aliviar os músculos cansados e abrandar a dor. Quando o tecido muscular é lesionado ou danificado, dor e inflamação invadem a área.Substâncias químicas como as histaminas e ácido lático são liberadas para dentro das células musculares causando contração anormal, tensão e espasmos. Como os músculos são normalmente conectados às articulações pelos tendões, quando lesionados podem causar encurtamento ou rigidez da articulação.O resultado é um animal que "segura" seu membro, nuca ou coluna para compensar a postura, distribuindo seu peso inadequadamente, criando novos estresses nos ossos e articulações.
          A massagem atua nos músculos, auxiliando-os no relaxamento e restaurando-os com sua elasticidade e posição individual, aliviando a dor do animal. Além disso, a massagem aumenta o suprimento sanguineo local levando mais nutrientes para sustentar e tonificar uma área fraca e fadigada, como os membros posteriores de seu animal mais velho.
          Amor e contato físico aumentam praticamente todos os processo de cura. O momento da massagem é um tempo de maior atenção com o animal, quando o ser humano presta maior atenção ao bem-estar do seu amigo, mais do que quando faz carinhos eventualmente.

terça-feira, 29 de maio de 2012

Quando recorrer à acupuntura?

          A acupuntura pode ser indicada para quase todo tipo de doença, exceto em casos de resolução cirúrgica. Na medicina veterinária destacam-se os bons resultados sobre as discopatias (hérnias de disco, calcificações e diminuição do espaço intervertebral), distúrbios reprodutivos, artroses, problemas urológicos (como a síndrome urológica felina) e distúrbios neurológicos (como sequelas da cinomose). Além disso, tem ótimo efeito contra a dor.     Estima-se que as endorfinas liberadas em uma sessão de acupuntura são 200 vezes mais potentes que a morfina. 
          A acupuntura pode ser usada como tratamento exclusivo, mas pode também ser associada a outras terapias como alopatia e homeopatia com a finalidade de melhorar a qualidade de vida dos animais com doenças incuráveis como a insuficiência renal, ou que estão com o sistema imunológico debilitado como nas doenças auto-imunes (anemia auto-imune) ou nos tratamentos quimioterápicos (neoplasias).

Como funciona a acupuntura?

          Existem duas explicações para o efeito terapêutico da acupuntura: uma baseada na visão holística oriental e outra baseada na visão científica ocidental. 
          Segundo os orientais, a doença surge do desequilíbrio energético nos meridianos, por exemplo, um bloqueio no fluxo da energia Qi ocasiona excesso de energia em um meridiano e insuficiência de energia em outro. Esses excessos e insuficiências podem causar dor no trajeto dos meridianos e disfunção dos órgãos que estão ligados a esses meridianos. Através das agulhas, consegue-se tonificar ou dispersar a energia que está causando o problema.
         Do ponto de vista da medicina ocidental, a acupuntura age através de estímulos nervosos que induzem a liberação de hormônios e outras substâncias benéficas.   Histologicamente, os pontos de acupuntura são ricos em terminações nervosas, arteríolas e vênulas. Estudos mostram que o estímulo pela acupuntura pode acionar o hipotálamo e as glândulas pituitárias, responsáveis pela liberação de endorfinas e neurotransmissores, resultando num amplo espectro de efeitos sistêmicos, aumentando a taxa de secreção de neurotransmissores e neuro-hormônios, melhorando o fluxo sanguíneo e estimulando a função imunológica. 
               "Com certeza, no momento, o grande obstáculo que existe à uma maior incorporação das técnicas da medicina chinesa aos arsenais terapêuticos da medicina ocidental, resulta da incompreensão da essência, da linguagem e do funcionamento da primeira pela segunda. Infelizmente, o cientista ocidental encontra-se preso por uma rigidez enorme de conceituações e princípios que dificultam a compreensão de um conhecimento que está registrado numa linguagem diferente daquela a que ele está acostumado." (Botsaris, 2007)

Energia Qi


     Há milênios foi desenvolvido no Oriente, um sistema filosófico, cultural, religioso e científico, relacionando uma energia com todas as coisas e especialmente com os seres vivos. Essa energia é conhecida como Ki no Japão, Qi na China, Prana na Índia e atualmente bioenergia no Ocidente. Os orientalistas que se referem aos escritos cosmológicos e filosóficos, traduzem Qi como sopro, o sopro original  que originou Yin-Yang, mas os acupuntores preferem utilizar a palavra "energia".

Fonte: Fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa.
Autor:Alexander Raspa da Silva

MEDICINA TRADICIONAL CHINESA (MTC)

           É a denominação usualmente dada ao conjunto de práticas médicas em uso na China, desenvolvidas ao longo dos milhares de anos de sua história.  A Medicina Tradicional Chinesa (MTC) é tão antiga quanto a humanidade. Pode-se dizer que ela existe desde quando o primeiro homem pressionou e massageou seu corpo instintivamente ao sentir dor. A teoria da Medicina Chinesa afirma que existem condutos no nosso corpo, chamados meridianos, por onde circulam uma influência sutil denominada Qi. Esta influência Qi, na visão chinesa, é a base das funções fisiológicas e psicológicas do organismo e quando a sua circulação normal sofre um bloqueio ou obstrução ocorrem as desarmonias nos órgãos internos, podendo gerar quadros de excesso ou deficiência desta influência (ou energia) sutil.   A MTC, modernamente, é dividida em 5 especialidades principais que promovem o equilíbrio do Qi e melhoram a sua circulação nos meridianos:
  • Acupuntura: tratamento através das agulhas inseridas nos pontos dos meridianos tonificando ou dispersando energia Qi
  • Tui Na: massoterapia chinesa que utiliza técnicas de massagem ao longo do percurso dos meridianos
  • Fitoterapia: tratamento com plantas medicinais
  • Qi Gong: exercícios terapêuticos chineses
  • Dietoterapia: especialidade que trata os desequilíbrios através dos alimentos

    O objetivo destas especialidades não é apenas tratar as doenças mas principalmente prevenir e promover a saúde. Como disse o Imperador Amarelo: “ Esperar ficar doente para procurar o médico é como esperar ter sede para começar a cavar o poço”.